terça-feira, abril 2

Elefante


Em janeiro, gravei o curta-metragem Elefante (em fase de edição). A direção e o roteiro original são de Jota Mombaça e a captação de imagens de Rodrigo Sena. Foi o meu primeiro trabalho com o audiovisual e já fortemente experimental. A começar pelo roteiro. Jota escreveu o primeiro, que passou para as minhas mãos. A proposta era a de que eu o reescrevesse, acrescentando minhas próprias ideias e referências.


[Uma das minhas contribuições foi a introdução do poema Roteiro do Silêncio, da Hilda Hilst, que é um dos meus preferidos e eu já havia utilizado em uma performance]

Nosso processo de criação teve algumas vivências, na Praça Cívica da UFRN e no Record's Motel, também local de gravação.


Não dá pra explicar sobre o que é Elefante. Eu posso dizer o que significa para mim. Eu acho que é um filme sobre apatia, impotência, silêncio. Talvez, principalmente silêncio porque, de alguma forma, a ideia do silêncio me toca.

Uma das coisas mais legais de ter feito esse filme foi que, logo no começo, eu disse que que queria dançar. Daí a gente tentou construir esse movimento de agonia. Um movimento que era, na verdade, uma paralisia. Eu tive uma série de oportunidades, nas vivências, nas gravações, de procurar essa dança em mim. Foi uma forma de conhecer melhor essas partes transparentes (transparentes porque elas estão bem diantes de nós, mas não vemos) que eu posso extrair do meu corpo.



terça-feira, novembro 13

Confesso

Foto: Richardson Sant'Anna

Me sentar em um local visível com uma cadeira vazia ao lado, ter nas mãos uma caixa com confissões, esperar as pessoas chegarem uma a uma, ler os papeis para elas.

Esperar, chamar a primeira pessoa com um sinal com a mão, olhar as pessoas passarem, muitas, sem se ater a mim. Tentar interagir, tentar estar presente, minha mente foge, eu me canso. Me cansei rápido, rápido para uma performance, 1 hora e meia, foi um bom jeito de recomeçar. Ter dúvidas, como sempre. Me sentir estranha, chorar quando uma determinada pessoa se aproximou, entender porque eu fazia aquilo quando a primeira pessoa se identificou. 'Parece que você está falando de mim e não de você'. É porque nós somos todos parecidos. Eu queria ir embora e queria ficar. Se eu estou perdida, o vento pode me levar pra qualquer lugar. E em qualquer lugar, eu estarei observando.

sábado, julho 28

Descontrole Remoto

Pra não passar em branco, um texto sobre a minha participação na Plataforma Descontrole Remoto. Este projeto é uma parceira entre o Coletivo ES3, de Natal, e performers de Curitiba para o "intercâmbio cultural entre artistas da performance arte do sul e do nordeste brasileiros". Entre eles, o Angelo Luz, que esteve em Natown City para, entre outras coisas, conhecer a produção em performance na cidade. E como legítima (com muito orgulho) representante da linguagem aqui, eu fiz uma pequena apresentação e gravei uma entrevista com ele que fará parte de um filme/documentário.


sábado, junho 23

Retratos de Infância


Retratos de Infância é o meu primeiro projeto fotográfico. O primeiro realizado e as primeiras fotos que deram origem a uma exposição. Elas fizeram parte da programação do II Circuito Bode Arte, pela relação estreita que guardam com a performance. A ideia para realizá-lo, inclusive, surgiu de uma pesquisa desenvolvida para a performance Retratos: escolha de uma memória de infância. E quando falo "pesquisa", eu também estou me referindo ao turbilhão de coisas que nos passam pela cabeça quando estamos envolvidos com alguma temática. De um desses insigths, surgiu este projeto. Clique em 'mais informações' para ler o resto do texto.

sábado, abril 14

Depoimento para Fórum do II Circuito Regional de Performance Bode Arte

"A performance pode ser uma série de gestos íntimos" (Roselee Goldberg)


A produção do Circuito Bode Arte nos solicitou um depoimento em vídeo que respondesse a seguinte pergunta: "Travessias e Cruzamentos do Corpo, Performance e Política: Como pensamos? Como performamos?". Me atendo à questão "como performamos?", primeiro escrevi um texto para chegar à ideia do vídeo. Creio que a forma como eu entendo performance ou como eu concebo a minha performance passa essencialmente por onde eu desloco o meu olhar, o que eu decido esmiuçar e desvelar, não se tratando apenas de um (re)conhecimento, mas também de uma reconstrução. O vídeo está muito ligado ao trabalho desenvolvido na minha performance "Retratos". Abaixo, vídeo e texto. Ambos foram postados no Grupo do fórum de performance, no Facebook.


sexta-feira, abril 6

Então, a escrita: Relato da 2ª apresentação de Retratos: escolha de uma memória de infância


Vou escrever sempre. A cada vez que apresentar, durante os processos de criação, enfim, sempre. Tenho notado como escrever é uma extensão do criar e do vivenciar. É quando eu consigo mastigar e absorver tudo o que aconteceu, o que foi produzido e, ao mesmo tempo, ter novos insigts e direcionamentos.

Muitas ideias tem estado na minha cabeça durante o processo de re-criação para esta apresentação. Digo, recriação porque "Retratos" já havia sido criada uma vez e apresentada ano passado. Mas, agora, houve uma série de mudanças de idéias e objetivos e, com isso, um novo processo de criação. Ele durou de fevereiro ao fim de março. Apesar de eu ter sido contemplada com o Cena Aberta em setembro, por um motivo ou outro, adiei essa retomada.

sábado, março 31

Programa de Retratos

O programa de performance. Nem todo mundo que foi ver recebeu porque eu só consegui imprimir bem poucos, mas quem ficou até o final do bate-papo pôde levar um pouco mais da performance pra casa. Concebi o programa para que ele fosse não só um suvenir, mas para ser uma extensão do mesmo, um complemento. Clique para ver ampliado.